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Apresentação



Introdução
O Hiperespaço é uma publicação alternativa e independente de ficção científica, fantasia e horror. Editado em São Paulo/SP desde 1983, é o mais antigo fanzine desses gêneros em publicação no Brasil.
Ao longo de 20 anos dedicou-se a apresentar artigos, resenhas, entrevistas e a arte de vários realizadores brasileiros e estrangeiros em diversas áreas de interesse, como cinema, modelismo, histórias em quadrinhos e literatura, que o levou a usar, durante muito tempo, o epíteto "O mais completo fanzine de arte fantástica do Brasil".
Em suas páginas estrearam vários artistas que, mais tarde, tornam-se reconhecidos dentro e fora do país e essa política de apoio ao autor novo sempre norteou seus pricípios editorias.


O início
O gérmen do que viria a tornar-se o Hiperespaço aconteceu nas páginas da publicação alternativa Historieta (nº 5, junho de 1982), fanzine sobre histórias em quadrinhos editado por Oscar Christiano Kern em Porto Alegre/RS. Uma carta do quadrinhista mineiro de Montes Claros, José Carlos Neves anunciava interesse por encontrar "sócios" para editar um fanzine de ficção científica. Respondeu-lhe o quadrinhista paulistano Cesar Silva e, a partir da troca de correspondências, foi se estruturando o primeiro número do Hiperespaço, que estreou em outubro de 1983. A eles uniu-se o cartunista de São Caetano do Sul, Mario Mastrotti, que criou o personagem-símbolo do fanzine, o contrabandista espacial Tripanossoma e seu fiel comparsa Dodô.

O personagem-símbolo do Hiperespaço, Tripanossoma.

Essa primeira edição teve uma tiragem de 100 exemplares, impressos através de um processo off-set sem fotolito com chapas de cartão. Os recursos para a produção surgiram da venda de algumas coleções de gibis e isso permitiu que os exemplares fossem distribuídos gratuitamente a um cadastro de interessados compilado por José Carlos. A edição publicou uma nota oferecendo assinaturas para as edições seguintes.
O fato de ser o primeiro fanzine brasileiro dedicado ao cinema e aos quadrinhos de FC numa época em que publicações estrangeiras desse tipo não chegavam ao país e a internet ainda não existia, garantiram o sucesso imediato do Hiperespaço.
Em algumas edições, publicadas com periodicidade trimestral regular, as tiragens atingiram marcas próximas aos 300 exemplares.
Aos poucos o Hiperespaço ganhou padrão semi-profissional, com colaboradores famosos, embora nunca tenha abandonado o processo artesanal de publicação. Profissionais da área, como os quadrinhistas Mozart Couto, Rodval Matias, Watson Portela e Julio Shimamoto, e escritores como Jorge Luiz Calife, Braulio Tavares e R. F. Lucchetti, também não se furtaram em colaborar com o fanzine, brindando os leitores com obras que nunca teriam sido publicadas em revistas comerciais.
Muitos fanzines surgiram posteriormente imitando a proposta e o estilo grafico do Hiperespaço, tais como Millenium, Space e Esquadrão Ford, formando uma verdadeira irmandade.
Em setembro de 1988, depois da lançamento da edição número 20, o Hiperespaço foi interrompido e passou quatro anos sem editar um único número. Ainda assim, o Hiperespaço foi agraciado pelos fãs brasileiros com o Prêmio Nova de melhor fanzine de FC de 1988 pelo trabalho realizado nesse ano.

O interregno
O Hiperespaço voltaria em 1993 mas, durante esse período de ausência, o título foi emprestado a um grupo de fãs do Rio de Janeiro que publicou cerca de seis números de um fanzine literário que recebeu o título suplementar "The next generation", e ficou conhecido como Hiperespaço TNG.


O evento
A volta do Hiperespaço foi precedida pela realização, em junho de 1992, da HiperCon, um encontro de fãs, autores e editores de FC&F, realizado no município de Santo André/SP, com o apoio da biblioteca pública dessa cidade.
Ao evento compareceram personalidades do meio editorial do gênero, como o editor Gumercindo Rocha Dórea e os escritores André Carneiro e Rubens Teixeira Scavone.


Da esquerda para a direita, José Carlos Neves, Antônio Carlos Silva, R. C. Nascimento, Roberto de Sousa Causo, Gumercindo Rocha Dórea (atrás), Marcello S. Branco e Cid Fernandes, durante a HiperCon em 1992.


O retorno
O Hiperespaço voltou a ser publicado regularmente a partir de maio de 1993, retomando a numeração de onde havia parado, assim como o formato grafico e editorial, e a periodicidade. Também passou a promover eventos e atividades com os fãs em parceria com a Gibiteca Henfil (São Paulo/SP), como as convenções HorrorCon (4 edições), BrasilCon (2 edições) e RhodanCon (1 edição), e as mostras periódicas de vídeos raros de FC e horror CineHorrorCon. Para isso criou o selo SBAF - Sociedade Brasileira de Arte Fantástica, que passou a chancelar as atividades de um grupo grande de fãs, autores e editores.


Século XXI
Depois de 20 anos de atividades, o Hiperespaço atingiu a expressiva marca de 52 números regulares e quatro edições especiais, somando mais de 1200 páginas de material editado, centenas de colaboradores e reconhecimento no fandom brasileiro e internacional.
Agora, o Hiperespaço passa por uma reformulação dramática que pretende atualizar seus ideais históricos usando toda a experiência acumulada e a tecnologia moderna para atingir um novo patamar de comunicação entre artistas, editores, fãs e consumidores de FC&F.
Como fanzine, o Hiperespaço deixa de existir e abre espaço para novos projetos editoriais semi-profissionais, reais e virtuais, entre eles a Nova Coleção Fantástica.
Se você gostou e quer saber mais, adquirir alguma das edições apresentadas ou oferecer seu material para ser avaliado, entre em contato conosco pelo nosso e-mail.

Muito obrigado pela sua visita e pela sua atenção.

Os editores do Hiperespaço, Mario Mastrotti, José Carlos Neves e Cesar Silva, agradecem a sua visita.

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